Eu tinha nove anos quando ganhei um balanço do meu avô

Ele não era marceneiro, mas entendia de madeira como poucos. Quando o vovô comprou a chácara, ele ficou muito orgulhoso. E construiu o portão, que até hoje está lá. Já se foi mais de uma década e a arte dele continua como nova.

Depois, me prometeu uma casa na árvore, na última mangueira do terreno. Porta, janelas, telhado. O desenho – dele – de como seria, nunca saiu da minha cabeça. Comprou as madeiras e, antes de começar, usou um pedaço de madeira para me fazer o balanço do título.

Foi um dos últimos presentes que ele me deu.

A mangueira continua lá e o balanço também ficou, por um bom tempo. Não tenho certeza, mas acho que nunca mais tive coragem de sentar ali, menos ainda de balançar. Com a chuva, o vento, o tempo, as cordas estouraram. A madeira, acho, acabou indo para o lixo.

Hoje você me fez lembrar de tudo isso. Seu avô – que agora é seu avô, em primeiro lugar e meu pai depois – aproveitou um pneu furado e fez o mesmo por você.

infancia

Você não sabe, filho. Mas ser mãe, muitas vezes, é poder voltar a infância. Obrigada.

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