Leia em caso de fuga (da sua criança interior)

Filho,

É impressionante a sincronicidade que as coisas tem. Dia desses, você fez uma piada e, depois de fazer muita gente grande gargalhar, alguém falou:

– Nunca deixe a sua criança escapolir.

No mesmo momento me lembrei do meu livro preferido, O Pequeno Príncipe – que leio pra você desde que você ainda era parte de mim. Talvez você ainda não tenha percebido, mas esse é um livro para adultos que fala sobre tudo que a gente deixa para trás quando fica grande.

Acontece que, dias depois, uma conversa corriqueira sobre tatuagens me fez pensar ainda mais sobre meu livro preferido. Eis o diálogo:

– Uma amiga minha tatuou a jibóia d’O Pequeno Príncipe, mas sempre perguntam: ‘por que você tatuou um chapéu?!’

Se um dia você quiser se tatuar, filho, só tem um conselho para te dar: algumas pessoas grandes não gostam de tatuagens; mas gostam de questionar as nossas escolhas. “O que significa?” “Por que você escreveu isso?” “Por que tão grande?” são perguntas corriqueiras na vida de quem decidiu se desenhar, veja só.

São nessas situações que me lembro sempre do “desenho número um” de  Saint-Exupery: as pessoas grandes só enxergam um chapéu, mas tudo vai – sempre – muito além.

Que eu possa entender suas jibóias, filho. E, mais: que você nunca se torne grande – se é que você me entende.

pequeno príncipe jibóia desenho

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