O escritório deles é o mundo (e o que você pode aprender com isso)

2015.

– Eu gostaria que vocês dissessem seus nomes, onde trabalham e onde gostariam de trabalhar.

Era uma sala clara, com tudo o que há direito em uma aula de pós-graduação de uma faculdade coxinha: mesas grandes, cadeiras executivas, ar condicionado no máximo, tags com os nomes e sobrenomes de cada um presente naquele espaço. O professor chamava um a um em sua ordem, sempre pelos nomes, como se fossem velhos amigos.

Um a um, os 39 alunos seguiram à risca a orientação.

Ao fim, apenas dois – os mais velhos do grupo – afirmaram estarem felizes com o trabalho. O irônico, eu pensava, era que mais da metade dos alunos estava ali a mando das empresas que tanto os desagradavam.

– 80% das pessoas são infelizes com o trabalho, continuou o professor. Por quê?, questionou. Essa é uma tendência do mercado atual. E, se o modelo de gestão usado atualmente não mudar nos próximos anos, vamos sofrer com uma grande carência de bons profissionais no mercado.

2013.

Editoras, jornais, sites e redações de todos os tipos passam pela chamada “reformulação”, conhecida no meio como passaralho. Era o primeiro de muitos, que viriam nos anos a seguir. “É pior para quem fica”, lembro de ter ouvido na época. “Quem é demitido consegue seus direitos trabalhistas, se reestrutura e continua a vida. Quem fica acumula funções, passa por essa instabilidade, não sabe o que vai acontecer a seguir… e isso, é claro, afeta a forma como agimos e trabalhamos”.

2014/2015

Cada dia uma nova cama, um novo fuso, uma nova vida. Uma nova oportunidade. São dez dias em São Paulo e 20 fora do Brasil, descobrindo o mundo. Descobrir para descobrir-se. Tudo começou com o passaralho do ano anterior. Como em um filme da sessão da tarde, o “pé na bunda” inicial se transformou em oportunidade: a jornalista Glau Gasparetto uniu a experiência prévia com a vontade de montar a própria agenda e fugiu do mercado tradicional. O marido, Adriano Dias, seguiu os mesmos passos e, seis meses depois reativaram a infoMedia digital, empresa especializada em produtos e conteúdo digital.

O modelo tradicional, com escritório, funcionários alocados e horário comercial nunca esteve nos planos dos dois. “Estávamos cansados da estrutura corporativa e era desejo investir em algo nosso, com nosso ritmo, regras e valores. Era a vontade de viver algo mais leve e mais feliz”, conta a jornalista. O próximo passo foi conciliar o trabalho com a “grande paixão” do casal: viajar.

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Na Turquia, em 2014

Hoje os dois passam mais da metade do mês longe de casa, mas não sem trabalhar – e muito. Do último ano para cá, foram 12 carimbos novos no passaporte até o fechamento desse texto, risos: República Dominicana, Colômbia, Uruguai, Estados Unidos, Itália, Portugal, Vietnã, Camboja, Turquia, Bélgica Holanda e Tailândia. O último uniu ainda mais os dois e o sonho agora é voltar para a Ásia apenas com as passagens de ida. “Nem o trânsito caótico incomoda”, afirma.

Para tudo funcionar, os dois contam com um time de 50 colaboradores das mais diferentes áreas – todos devidamente coordenados a distância e, muitos, com um estilo de vida parecido ao do casal. “É a mesma lógica do home office, que muita gente já aderiu. O trabalho continua o mesmo, o escritório é que é diferente”, contam.

Até o fuso horário, que poderia atrapalhar em prazos e urgências, acaba ajudando, principalmente quando o relógio é adiantado: “Voltamos para casa na hora em que os clientes e a equipe de colaboradores estão começando a trabalhar”, diz. No fim das contas, as únicas reclamações são a falta de regularidade de exercícios físicos e as camas de hotéis e casas que se hospedam: “Nem todas garantem uma boa noite de sono”, afirma.

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Em Halong Bay, no Vietnã, também no ano passado

O próximo destino é baseado sempre em promoções aéreas. Os dois mantém uma wishlist dos países que querem conhecer e, quando aparece alguma oportunidade, compram as passagens e começam a procurar por hospedagem. A programação é feita com 50% a mais de tempo que um turista “convencional” passaria no local. “Parte do tempo é reservada para visitar o lugar em que estamos, vivenciar o dia a dia, conhecer os costumes, pessoas…”, conta. Esse aspecto, garantem, é uma fonte inesgotável de inspiração e ideias para trabalho e vida pessoal.

Na outra metade do tempo, dedicam-se ao trabalho – que é sempre prioridade. E, para tal, trabalham de qualquer lugar: seja onde estão hospedados, cafés ou locais públicos com wi-fi disponível. “Em um dia, podemos passar o tempo todo em frente ao computador. Em outros, conseguimos dar conta de tudo apenas via smartphone e tablet, o que nos permite mobilidade. Usamos o melhor que a tecnologia pode oferecer”, diz.

Como não poderia deixar de ser, os dois tem certeza que aproveitam muito mais a “vida wireless” agora. Mas garantem: “Estar ‘conectado’ ou ‘disponível’ não é exatamente estar na internet. O mundo é muito mais legal sem ser visto pela tela”.

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Durante o Yi Peng Festival, em Chiang Mai, na Tailândia: o trabalho não tem hora

Você pode acompanhar o dia a dia do casal no Escritório do Dia e dicas no Vida Wireless. E, se quiser dicas de viagem, eles ainda escrevem no Travel Sweet Travel.

Todas as fotos que ilustram o post são deles.

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como trabalhar em qualquer lugar do mundo

 

VEJA MAIS HISTÓRIAS COMO A DELES NO PROJETO PARE DE SONHAR :)

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