Tudo o que você não precisa: sobre morar nos Estados Unidos

“Não acho que morar fora do país é algo para todo mundo. Muita gente chega aqui achando que vai ficar milionário da noite para o dia. A vida é muito dura aqui”

Você não precisa de um Macbook para ser criativo. Não precisa de um coach para encontrar o seu caminho. Um curso caríssimo. Um carro novo. Perder 10 kg. Ganhar na Mega Sena. Sair do seu emprego. Meditar por 30 minutos todos os dias. Uma casa no campo. O lugar ou os equipamentos certos. Silêncio. Tempo.

Tudo o que você preciso para realizar um sonho é agir. Agora. 

Em 2004 a Cris Passarela conheceu Nova Iorque. Foi a passeio, acompanhada de uma amiga e sem expectativa nenhuma. “Meu sonho sempre foi morar em Londres”, conta. O inevitável aconteceu: “me apaixonei” – pela cidade e por um nova iorquino.

Passou os dois anos seguintes na ponte-aérea Brasil-Nova Iorque e, enquanto a mudança definitiva não acontecia, aperfeiçoou seu inglês e espanhol. Guardava todo o dinheiro que conseguia com o trabalho de psicóloga no Brasil. Por último, vendeu tudo o que tinha e, em 2007, se mudou de vez.

Chegou na cidade com o visto de estudante, o F-1 e, mesmo com um currículo invejável na área da psicologia, sem o green card não poderia trabalhar. Fez faxina,  foi babá e fez até bicos como cozinheira e cabeleireira (escovando cabelos). “Tenho especialização e mestrado, mas em momento nenhum achei que era indigna desses trabalhos”, diz.

O namoro acabou e, mais tarde, conheceu Uka Gameiro, também brasileiro. Se casaram. Ele tem o visto O-1, que permite o trabalhe no país. Como dependente, Cris conseguiu o visto O-3, que garante residência temporária – mas ainda não permite que ela trabalhe legalmente. Todos os finais de ano o casal tem que renovar as documentações e, caso não consigam, correm o risco de ir embora.

A grana?  É curta. A vida real não é um episódio de Friends ou How I Met Your Mother. Uka trabalha como baterista e o casal aluga um quarto em seu apartamento no Queens. Ela faz bicos como amiga local, uma mistura de guia de turismo, personal shopper, intérprete e fotógrafa, como ela mesma diz. “Não temos luxos. Dividimos um celular, não temos TV a cabo e somos muito econômicos. Só compramos ‘besteiras’ em promoção ou quando temos algum cupom”, conta. Mesmo assim, nem sempre as contas fecham no final do mês: “não é raro termos de tirar dinheiro da poupança para completar os pagamentos”.

Quando coloca na balança, stress, instabilidade e insegurança ainda valem a pena. “Sou mais feliz aqui. Pra mim, a qualidade de vida que tenho quanto a poder transitar a qualquer hora do dia e da noite sem ter medo da violência não tem preço – ou melhor, é esse que estou pagando (risos)… Quando eu me mudei para cá, vim de corpo e alma e voltar para o Brasil não era (e continua não sendo) uma opção”. Mas alerta: “não acho que morar fora do país é algo para todo mundo. Muita gente chega aqui achando que vai ficar milionário da noite para o dia. Aqui a vida é muito dura para quem não tem algo certo, como um emprego ou um salário fixo”.

A próxima conquista de Cris será validar seus documentos como psicóloga e conseguir uma bolsa de mestrado na cidade. “Tenho certeza que em breve chegarei onde eu quero”.

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O adesivo que decora o quarto de hóspedes da Cris: “o resumo do que acredito na vida”, diz

VEJA MAIS HISTÓRIAS COMO A DA CRIS NO PROJETO PARE DE SONHAR.

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