A custo de que(m)

do Facebook do Pedrinho Fonseca

só li verdades, do Facebook do Pedrinho Fonseca

Uma vez vi uma imagem que dizia: “se todas as marcas estão salvando o mundo, então quem está fodendo com o planeta?”.

É um pouco do que me questiono, todas as vezes que os algoritmos sociais me fazem deparar com algum textão do tipo “encontrei com o senhor João, que mora na rua. Ele estava com fome e comprei um sanduíche para ele”, com direito a fotos de todos os envolvidos – sanduíche incluso. Nessas horas, meu lado b grita em meus ouvidos para que eu comente algo do tipo: “que lindo! E depois de contar no Facebook, o que você fez a respeito disso? Likes não enchem barrigas”. Mas, em vez disso, apenas levanto meu dedo indicador na tela do celular e abro algum gif de gatinho.

giphy
Assim como as marcas, na internet todo mundo é bonzinho, politizado e se preocupa com o bem estar de quem está em situação inferior e/ou o meio ambiente. Mas, na hora de reclamar de “bolsa bandido” (o que não existe, vale dizer), “bolsa família”, “governo paternalista”, é o primeiro a levantar o dedo. Na hora de falar sobre “meritocracia”, “vitimismo” e “racismo inverso”, também está lá. Ou, quando convém dizer que ~tudo é melhor fora do Brasil.
giphy (1)

Conte-me mais sobre quando você morou no melhor país do mundo

Por trás do touchscreen, só penso naquele episódio de Friends, em que o Joey tenta provar para a Phoebe que nenhuma boa ação é altruísta e que, o bem que a gente pratica não passa de egoísmo. Eu, no meio de tanta bondade travestida, ainda acredito que, o que as pessoas mais querem é ser ouvidas. Seja lá a custo de que(m).

“Eu sou millenial. Geração Y. Nascida entre a descoberta da aids e 11/9. Eles nos chamam de geração global. Somos conhecidos por nossos privilégios e narcisismo. Alguns dizem que é porque somos a primeira geração onde cada criança ganha um troféu apenas por ter aparecido. Outros, porque as mídias sociais permitem que a gente poste e mostre para todo o mundo quando peidamos ou comemos um sanduíche. Mas o que nos define é nossa indiferença com o mundo. Uma indiferença com o sofrimento”.

 

do episódio The Dead, de American Horror Story: Coven, ou: de onde saiu a ideia para esse texto
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s