Para quem não sabe onde ir, qualquer caminho serve

"Para quem não sabe onde vai, qualquer caminho serve"

Liguei o Waze para ir ao trabalho. Apesar de estar fora do horário de pico, o aplicativo me falava para evitar a Marginal Pinheiros. De início, não dei muita atenção. Quando finalmente decidi seguir por dentro da Cidade Universitária, a rota atualizou e me mandou ir pela Marginal.

Uma leve ansiedade tomou conta de mim, enquanto tentava manter a calma.

Atrás de mim, o motorista de um Golf preto jogava o carro em cima do meu. Eu, que tenho evitado o stress, abri passagem. Ao sair pela Portaria 1, outro carro, na esquerda, deu seta para a direita. Ainda há poucos metros de mim, a buzina do Golf buzinava em resposta a seta.

O barulho não amedrontou o outro motorista, que jogou o carro – novo, ainda sem placa – para a direita, entrando na primeira esquina. O farol fechou e o mocinho do Golf acelerou. Com a buzina ainda ligada.

Da faixa de pedestres, em portunhol, ouvi: “Quanto stress! A maconha deve estar em falta no Brassssil”. Dei risada. A frase veio de um moço que carregava três bolas pequenas e uma de futebol. Os fones de ouvido, provavelmente sem som, passavam por dentro da camiseta que vestia: preta, da Nike.

Do meio da faixa, começou a fazer malabarismos com as bolinhas enquanto fazia embaixadas com a maior. Dois ciclistas – da faixa deles – pararam para observar. Quando terminou o show, o da frente disse que não tinha dinheiro nenhum. Piscando para mim, o artista respondeu: “Com uma bicicleta dessas, você não tem nada?”. De dentro do carro, brinquei: “Deve ser a crise…”

Foi então que o bagulho ficou sério e ele me encarou: “Que crise?! O brasileiro continua comprando no shopping. Desde quando isso é crise?! A crise está na cabeça das pessoas”, enquanto apontava para a cabeça e rumava para a calçada.

Sentou e, antes que eu pudesse engatar a primeira marcha, completou: “O brasileiro ainda não aprendeu a bater palma, não aprendeu a ser humilde”. Segui para o trabalho com a sensação de que o trabalho estava ali, no meio da rua, e eu o deixava para trás.

 

*O título do post é um trecho de Alice no País das Maravilhas.
*Depois de escrever esse texto me deu uma baita vontade de escutar Vienna, do Billy Joel. Talvez o mesmo aconteça com você ;)

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