O terror

psicose carro

Sozinha, dirige a noite quando alguém joga um pedaço de madeira no carro. O vidro estilhaça, o capô amassa e o retrovisor quebra. O espelho pula dentro do carro e cai no seu colo. Ela chega em casa e vomita a noite toda. No dia seguinte – e nos que seguem -, tem que fazer o mesmo caminho, como em um conto louco inspirado em Nietzsche.

O dia mastiga a alma, enquanto ela não percebe a vida passando. Ontem ansiava os 18 e, num piscar de olhos está com quase 30. Pouca coisa mudou.

Precisa de um carro para trabalhar e trabalha para trocar de carro e pagar a análise. A conta nunca fecha.

De repente, percebe que aquela vontade de fazer algo pelo mundo não passa de utopia. E, se não cuidar de si mesma, não cuidará de ninguém.

Realizou todos os sonhos que tinha aos 14. Aos 28, não sabe para onde ir. O tempo não dá chance.

É exposta em uma reunião de família, na frente daqueles amigos que derrubam qualquer pé de arruda.

A pessoa que mais estima a coloca em seu lugar e diz que, não, ela não é – nem faz – tanto o quanto pensa.

Quando criança, com medo de fantasmas, ouviu dos avós que “tinha que ter medo de quem está vivo”. Talvez por isso seja difícil assustá-la. Ou talvez, seja só por saber do que o ser humano é capaz, ela prefira o terror. Sempre.

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