Incógnita

asfalto ana sasso

A garoa era como o choro: apenas o bastante para estragar seu cabelo e maquiagem. Cavava no asfalto com o salto do sapato. Cada passo mais fundo e, no fundo, imaginava que alguém iria buscá-la.

Abriu a porta do carro e sentou-se, no lugar do motorista. Respirou fundo e tirou os sapatos, como quem tenta procurar o chão. Procurou os óculos no porta-luvas, como se conseguisse enxergar qualquer coisa. Deu a partida e, ao virar a esquina, perdeu o controle. Do carro, do choro, da vida.

Era o que mais doía. Como pode? Como permitiu? Os grandes erros são assim: mal se percebe quando está dentro deles e, quando vê, é impossível sair.

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