O efeito Gloria Pires e o meme da diferentona

– Mas você não é a única que tem me dito esse tipo de coisa, Ana. Está difícil para todo mundo, disse minha terapeuta com a mesma velocidade em que pensei: “e se tem alguém lucrando com todo mundo muito louco, esse alguém é você né, kiridinha”. 

meme diferentona

Da página Diferentona

Acho engraçado como a gente, muitas vezes, se enxerga floquinho de neve, diferentona, sofredora de todos os males. Por muito tempo fui assim. Achava que, ohhhh pobre de mim, só eu sabia o que era passar por determinadas coisas. Só eu enlouquecia com duas reformas constantes nas casas ao lado da minha casa (uma de cada vez, alternando mas sem pausas, uma parede indo a baixo enquanto escrevo esse texto, inclusive).

Só eu tinha determinados medos e enfrentava todos os dias pessoas que mais pareciam ter saído de uma esquete do Zorra Total – ou de um filme de terror, dependendo do ponto de vista. “Mas vocês não sabem nada de mim! Vocês não sabem nada do que passa na minha vida”, bradava a coitadinha.

Foi só depois que alguns tapas na cara que percebi que não, eu não sou a única, centro do universo, leonina, Regina George. Na real, estamos todos no mesmo barco. E, por mais que a gente tente fugir, só temos duas opções: lançarmo-nos ao mar – e provavelmente morrer assim – ou fazer do barco a moradia mais agradável possível – junto com Dramin’s para sobreviver ao balanço das ondas.

Se fosse fácil, se chamaria miojo e não vida, diriam. O difícil, na verdade, é se proteger do tsunami de informações que nos invade todos os dias. A gente liga no GNT para gastar o tempo pensando em suco verde ou os benefícios do inhame e, nos intervalos, dá de cara com o comercial dos Médicos sem Fronteiras, que deveria vir acompanhado de um aviso de “tirem os ansiosos, depressivos e pessoas com síndrome do pânico da sala”.  Desliga a TV, mas no Netflix as notícias também não são tão boas – basta assistir Cowspiracy ou Ele Está de Volta. Abre o Facebook ou o Twitter para ver vídeos de gatinhos, e só se vê desgraças e decepções.

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Acho que na atual conjuntura, vence quem aposta na postura Gloria Pires: não sei, não vi, não sou capaz de opinar, ou  até na mais antiga “não estou disposta”. Não se trata de alienação. Trata-se de, antes de mais nada, curar-se. Só então seremos capazes de fazer o barco atravessar – ou entrar para os Médicos sem Fronteiras.

hay que endurecer sin perder la ternura

 

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