Eu não faço a mínima ideia do que estou fazendo

Festival Path, 15/05/2016:

– Agora eu vou fazer uma dinâmica, diz a palestrante.

Mãos suando, coração acelerado, sobrancelha levantando e aquela coçadinha no couro cabeludo com uma leve queda de cabeça para o lado esquerdo. “Você pode substituir dinâmica por uma crise de ansiedade em menos de 10 segundos, por exemplo”.

O fato é que odeio dinâmicas e, mais do que isso, não gosto nenhum pouco de me expor para pessoas que, por algum motivo cósmico, sentaram ao meu lado em algum momento de suas vidas.¨(Na verdade, não gosto nada de me expor em qualquer situação. E esses textos todos aqui são só exercícios para tentar melhorar isso também.)

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– Quero que vocês falem com a pessoa que está sentada ao lado de vocês e decidam quem será o número um e quem será o número dois.

“Ok, isso eu posso fazer”.

– Agora quero que o número um diga um projeto que ele tem, e que, em seguida, o número dois diga apenas que odiou.

“Criticar, bingo”.

– Agora o número dois irá falar um de seus projetos e o número um vai dizer: ‘gostei, mas você não acha que…’ adicionando uma sugestão.

“Ok”

– …E agora o número dois vai tentar solucionar o problema do número um.

Long short story das anotações: não descarte ideias. Corta.

Minha cama, segunda-feira, 16/05/2016, 7am. Celular ligado procurando algo que me acalmasse a ansiedade pré-semana que inicia enquanto meu pai diz algo na cozinha e eu só consigo pensar no que fiz de errado dessa vez:

Em resumo:

miga calaboca = vários nada.

migasualoca, vamos conversar = debate & reflexão.

Eu já cansei de ler/ver opiniões contrárias as minhas – principalmente sobre feminismo – e pensar: meudeusdocéu, não é possível que alguém realmente pense assim. Principalmente de pessoas que já foram bem próximas a mim e viveram experiências bem parecidas com as minhas. E, exatamente por isso, já fui do time das pessoas que cai matando em cima da outra, do alto da minha ignorância.

Mas a realidade é que você pode sim. Você pode o que quiser poder (!) e tem todo o direito de dizer o que pensa (lembrando sempre o óbvio a diferença entre opinião e preconceito) e expor o que você quiser. Mas talvez seja a hora de praticar mais discursos/mantras como “tudo bem. Mas você não acha que…” e variações.

E, talvez a lição que fique seja a de contar até dez antes de tentar calar outra voz – mesmo que ela seja completamente diferente do que você julga como certa. A vida não é um eterno Fla x Flu, esquerda x direita, uber x taxistas, motoristas x ciclistas. Tem também o caminho do meio – e as pedras no meio do caminho. E sempre a opção de recalcular a rota no meio do caminho.

Miga, eu não faço a mínima ideia do que estou dizendo. Mas TALVEZ você também não – E TUDO BEM ASSIM.

Leia também: Não pode: ser uma megera indomável

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