‘Girlboss’ e o que sua marca, empresa ou RH têm a ver com isso

Na semana passada, durante uma apresentação da Malagueta Group para um cliente, mostramos uma pesquisa que dizia: “Os jovens que hoje têm entre 20 e 35 anos lançaram seus próprios negócios antes que seus pais: a média mostra que os primeiros começam suas companhias aos 27 anos, enquanto os outros começaram aos 35”.

Ao falarmos sobre millennials, um dos presentes nos questionou sobre a relação entre esses números e as estatísticas de empresas que declaram falência antes de completarem 5 anos.

É verdade: de cada 10 empresas, 5 fecham as portas antes do quinto ano. A diferença entre essa estatística e a dos millennials é que, para nós, “empreender” vai além de abrir uma empresa, contratar funcionários, alugar um espaço. Ser freelancer, como uma boa parcela dos meus amigos, também é empreender – palavra horrorosa para esta que vos escreve, por sinal.

Em seguida, perguntei para os presentes se alguém já havia assistido Girlboss, seriado da Netflix disponível no dia 21/4. A trama é sobre Sophia Marlowe, inspirada livremente na vida de Sophia Amoruso, fundadora da marca milionária Nasty Gal.

Sophia é um retrato ao mesmo tempo estereotipado e cru da minha geração: não fez faculdade, não suporta nenhum emprego, é mimada, egoísta e egocêntrica. É humana; cheia de defeitos e foge dos padrões das mocinhas retratadas na TV americana – muito parecida, aliás, com o Mark Zuckerberg de A Rede Social. Talvez te lembre alguém que você convive. Talvez faça você se lembrar de si mesmo – e como não foi uma pessoa legal em situações parecidas.

Ao comprar uma jaqueta em um brechó por 8 dólares e vendê-la por 900 no eBay, a personagem decide transformar isso em seu ganha-pão. Sem usar as palavras “negócio” ou “empreender” – e ainda tirar uma onda com o namorado da amiga que estuda Business -, Sophia cria uma empresa do nada. Seus materiais são um notebook, uma câmera digital, acesso à internet e uma edição do livro eBay for Dummies. Em uma das cenas chega a dizer: “Eu não estou montando um negócio!”. Em outra, deixa um bilhete para o ex-chefe: “Obrigada por ser o meu melhor e último chefe”. Aos 20 e poucos anos.

Se por um lado o seriado deixa a desejar e só engata depois do quarto ou quinto episódio – menções honrosas para Ladyshopper99 e Gráficos do c*cete! -, a produção faz um retrato da geração que, em 2025, será responsável por 75% da força de trabalho no mundo – e, consequentemente, do poder de compra.

Spoiler: se você achou Sophia chata, espere pela geração Z, os que nasceram depois dos anos 2000. Ou, como costumamos dizer por aqui, os millennials que tomaram esteróides.

*Texto publicado originalmente no Pulse, do Linkedin, em maio/2017. 

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