O jornalismo vai salvar o mundo (mas não do jeito que você imagina)

Não há como começar esse texto sem algum clichê: vivemos em um mundo conectado; o mundo e o jornalismo mudaram, etc, etc. A mudança é a única constância e certeza na vida e na profissão de todos nós. Dia desses, por exemplo, ouvi de palestrante que “se oitenta por cento do seu trabalho é rotina, você provavelmente vai perdê-lo em cinco anos”.  Continuar lendo

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Nenhum homem (ou empresa) é uma ilha

Dia desses, lendo uma revista sobre carreira, percebi que mais da metade das matérias e notas da publicação falavam, em algum momento e de diferentes maneiras, sobre cultura organizacional.

Antes de chegar ao final da edição, me peguei questionando a relação entre tantas empresas abordando esse assunto e o número de pessoas infelizes com o trabalho. Afinal, 9 entre 10 das pessoas que convivem comigo não estão satisfeitas enquanto, cada vez mais, vejo companhias abordando esse tópico na mídia e com ações de RP.

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‘Girlboss’ e o que sua marca, empresa ou RH têm a ver com isso

Na semana passada, durante uma apresentação da Malagueta Group para um cliente, mostramos uma pesquisa que dizia: “Os jovens que hoje têm entre 20 e 35 anos lançaram seus próprios negócios antes que seus pais: a média mostra que os primeiros começam suas companhias aos 27 anos, enquanto os outros começaram aos 35”.

Ao falarmos sobre millennials, um dos presentes nos questionou sobre a relação entre esses números e as estatísticas de empresas que declaram falência antes de completarem 5 anos.

É verdade: de cada 10 empresas, 5 fecham as portas antes do quinto ano. A diferença entre essa estatística e a dos millennials é que, para nós, “empreender” vai além de abrir uma empresa, contratar funcionários, alugar um espaço. Ser freelancer, como uma boa parcela dos meus amigos, também é empreender – palavra horrorosa para esta que vos escreve, por sinal.

Em seguida, perguntei para os presentes se alguém já havia assistido Girlboss, seriado da Netflix disponível no dia 21/4. A trama é sobre Sophia Marlowe, inspirada livremente na vida de Sophia Amoruso, fundadora da marca milionária Nasty Gal.

Sophia é um retrato ao mesmo tempo estereotipado e cru da minha geração: não fez faculdade, não suporta nenhum emprego, é mimada, egoísta e egocêntrica. É humana; cheia de defeitos e foge dos padrões das mocinhas retratadas na TV americana – muito parecida, aliás, com o Mark Zuckerberg de A Rede Social. Talvez te lembre alguém que você convive. Talvez faça você se lembrar de si mesmo – e como não foi uma pessoa legal em situações parecidas.

Ao comprar uma jaqueta em um brechó por 8 dólares e vendê-la por 900 no eBay, a personagem decide transformar isso em seu ganha-pão. Sem usar as palavras “negócio” ou “empreender” – e ainda tirar uma onda com o namorado da amiga que estuda Business -, Sophia cria uma empresa do nada. Seus materiais são um notebook, uma câmera digital, acesso à internet e uma edição do livro eBay for Dummies. Em uma das cenas chega a dizer: “Eu não estou montando um negócio!”. Em outra, deixa um bilhete para o ex-chefe: “Obrigada por ser o meu melhor e último chefe”. Aos 20 e poucos anos.

Se por um lado o seriado deixa a desejar e só engata depois do quarto ou quinto episódio – menções honrosas para Ladyshopper99 e Gráficos do c*cete! -, a produção faz um retrato da geração que, em 2025, será responsável por 75% da força de trabalho no mundo – e, consequentemente, do poder de compra.

Spoiler: se você achou Sophia chata, espere pela geração Z, os que nasceram depois dos anos 2000. Ou, como costumamos dizer por aqui, os millennials que tomaram esteróides.

*Texto publicado originalmente no Pulse, do Linkedin, em maio/2017. 

Apesar de

Por muitos anos, o verão foi minha estação preferida: férias, piscina, finais de semana na praia, amores que nunca subiram a serra, ver o fim de tarde deitada em uma rede ou chupar manga – direto do pé – sentada em uma varanda.

paris janela apesar de Continuar lendo

Porque eu parei de escrever sobre sonhos

Como já disse na sessão sobre mim, quando me interesso por um assunto, vou fundo até enjoar. Nesse caso, foi diferente.  Eu peguei bode, o que é muito pior.

Vamos do começo:

Em 2013, como já disse, fui estudar Marketing na Califórnia. No último módulo, uma das minhas professoras preferidas me convidou para ter uma conversa. Lá fui eu.

Ela queria saber mais sobre mim. Expliquei que era jornalista e o que mais gostava nisso era poder conhecer e contar a história das pessoas. Falei sobre o Douglas, que era professor e se tornou trapezista aos 29 anos. Disse que histórias como a dele me inspiravam e eu gostaria de escrever sobre gente assim, que tem algo a contar.

E ela… surtou. Disse que eu não tinha noção do que estava dizendo, que isso poderia ser algo muito legal e que – risos – me via até na Oprah contando sobre um projeto assim.

Veja bem: ela já tinha trabalhado com a Madonna (!!!). Ter alguém como ela dizendo que uma ideia pequenininha da minha cabeça podia ser algo rentável, foi tipo isso:

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