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Ela foi estudar na China (sem gastar um centavo!)

“Aprendi que o melhor lugar do mundo é aquele que te acolhe. Aprendi a não julgar nada sem conhecer”, Lorena Magalhães. Largou tudo e passou um ano estudando mandarim na China

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Aqui, a 2.300 metros de altura, onde percebeu tudo o que havia aprendido com o país

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Ela não sabia voar… e se tornou comissária de voo

Uma das coisas mais difíceis de escrever – pelo menos pra mim – é escrever sobre alguém que a gente gosta muito. As chances de não fazer jus e desapontar são altas. Rabisca, escreve, reescreve, os dias passam e nunca está perfeito. É preciso focar em um deadline e respeitá-lo. De outra forma, o rascunho não vira texto nunca. Além disso, a parcialidade fica de lado e, o jornalismo autoproclamado sério e ético – insira ironia e risos nervosos aqui –, morre um pouco. Como a intenção aqui é a de contar histórias que inspirem – e essa é uma das minhas preferidas -, vamos no caminho avesso. Enjoy the ride:

“Você já pensou em ser aeromoça?”, perguntou um cliente da livraria em que trabalhava Andressa Caggiano, em Campinas (SP). E foi essa frase que mudou todo o rumo da estudante de letras que, desde os 15, viajava o interior do estado se apresentando em peças de teatro.

A ideia ficou alguns dias amadurecendo na cabeça de Andressa até que decidiu: era esse seu futuro. Fez um curso de comissária, passou um final de semana na selva, no Pico das Cabras, também em Campinas, estudou – muito -, passou nos exames médicos para o certificado médico da aeronáutica e,  alguns meses depois, foi aprovada pela ANAC. O destino, quando certo, não foge: não demorou e foi contratada pela Azul – onde passou por mais um treinamento, dessa vez específico para as aeronaves da companhia.

Foram dois anos e meio na empresa, até que, um dia, um companheiro de trabalho sugeriu que ela participasse do processo seletivo da Emirates, uma das maiores companhias aéreas do mundo. Assim como da primeira vez, não deu para trás e foi.

Todas as etapas do processo, coincidentemente, caíram nos dias em que estava de folga e em São Paulo. Na primeira fase, a altura atrapalhou. Para ser aprovada é preciso alcançar o mínimo de 2m,12cm de altura, a altura média dos bagageiros. No meio da prova, não alcançou. Você acredita em fada madrinha? Ainda sim a avaliadora a aprovou. E a disse:  faça yoga, pilates, alongamento, mas chegue mais alta na próxima etapa. Por motivos desconhecidos, duas semanas depois, conseguiu.

Foram mais três fases até que, em uma madrugada, recebeu uma ligação no celular, identificada como “um número gigante”. Era uma chinesa, a parabenizando pela conquista. “Não entendi quase nada do que ela disse. Mas sabia que o resultado era positivo”, conta, com os olhos longe.

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“Não foi difícil entregar minhas coisas e meu crachá, porque sei que vivi intensamente tudo que eu tinha para viver. Que aprendi o que deveria aprender. Conheci pessoas e lugares maravilhosos, às vezes me decepcionei, mas que existe algo mágico em ser feliz mesmo quando o seu dia está sendo ruim”

No dia do trabalho, em 2014, começou sua nova jornada – dessa vez em Dubai. Família, cachorro e namorado ficaram. O começo não foi fácil, como em qualquer pontapé. Mas, em poucos meses, a menina que até alguns anos atrás nunca tinha entrado em um avião, já era do mundo. Amsterdam, Barcelona, Itália, Rússia, Austrália, Londres. Até agora, são 25 carimbos novos no passaporte.

Em setembro voltou ao Brasil. O namoro de quatro anos – que começou na livraria, ainda em Campinas -, também transmutou. Se casou, com direito a  lua de mel em Dubai. Depois de 10 dias, João, o noivo, voltou. Sozinho. “Depois que você se encontra nessa vida, o difícil é se imaginar fora”, diz.

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“Descobri das despedidas que todo ‘tchau’ é também um ‘oi’. E que ir embora também é chegar. Partir é então se repartir para ir, mas para poder voltar. É buscar! Partir é um pouco como morrer agora, para renascer em outro lugar. Um pouco como voar… É um desprender-se totalmente solitário. Por isso eu poderia ser só, ao invés disso, escolhi ser pássaro”

Se ela se arrepende? Nunca. E que sonho ela ainda poderia ter, depois de realizar a maioria deles? “Voltar. Voltar para o meu marido. Terminar meus vinte e poucos anos pronta para assumir responsabilidades. Ter um cachorro, uma planta que não vai morrer. Assistir novela todos os dias, dormir na mesma cama e, quando viajar, ficar mais de 24h em cada lugar. Vida leve. Meu sonho é saber  hora de parar”. O mundo é teu, Andressa.

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Atualização: você pode acompanhar o dia a dia da Andressa e também dicas sobre a profissão dela no Não Perturbe. Mas perturbem, ela é encantadora :)

Veja mais histórias como a da Andressa no Projeto Pare de Sonhar.

Tudo o que você não precisa: sobre morar nos Estados Unidos

“Não acho que morar fora do país é algo para todo mundo. Muita gente chega aqui achando que vai ficar milionário da noite para o dia. A vida é muito dura aqui”

Você não precisa de um Macbook para ser criativo. Não precisa de um coach para encontrar o seu caminho. Um curso caríssimo. Um carro novo. Perder 10 kg. Ganhar na Mega Sena. Sair do seu emprego. Meditar por 30 minutos todos os dias. Uma casa no campo. O lugar ou os equipamentos certos. Silêncio. Tempo.

Tudo o que você preciso para realizar um sonho é agir. Agora. 

Em 2004 a Cris Passarela conheceu Nova Iorque. Foi a passeio, acompanhada de uma amiga e sem expectativa nenhuma. “Meu sonho sempre foi morar em Londres”, conta. O inevitável aconteceu: “me apaixonei” – pela cidade e por um nova iorquino.

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Como estudar fora do país?

“Eu me sinto como Alice no País das Maravilhas”, me disse a cazaque que havia acabado de conhecer. “…Só que na cena em que ela está caindo no buraco”, ela completou. Essa foi a melhor coisa que ouvi quando estava estudando na Califórnia, em 2013. Morar e estudar fora do Brasil é um sonho pra muita gente mas, muitas vezes, acaba se tornando um pesadelo ao longo do tempo – coisa que ninguém diz quando volta ou dá notícias do mundo de lá.

Acontece que a gente coloca muita expectativa em cima de outro país, cidade, culturas e, quando chega lá, nem tudo é como a gente imagina. Sem dizer que o período anterior a essa jornada também não é nada glorioso: documentações, provas, vistos, indecisões e incertezas. Eu, por exemplo, passei dois meses esperando minha carta de aprovação na Universidade da Califórnia. Nesse tempo, quem me acompanhou em noites em claro, combatendo a ansiedade foi tão somente e apenas o Netflix, aquele abraço amigo que a gente espera em uma noite fria.

Por isso, quando voltei, em dezembro de 2013, uma das minhas vontades era ajudar outras pessoas na mesma situação a não passar pelos mesmos perrengues que eu e repassar o que aprendi de alguma maneira. Escrevi muito sobre isso no Lugar Algum, reuni tudo isso, reescrevi  complementei com atualizações e informações boas e atemporais para quem quer estudar fora, não é mais adolescente e nem tem a ajuda dos pais para isso.

Foi assim que nasceu o Intercâmbio + 21 – Um guia para quem quer estudar fora do país, mas não tem tempo (nem dinheiro) a perder:

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Tem de tudo um pouco: como conseguir as documentações necessárias, quais provas você deve fazer para fazer uma faculdade fora, como conseguir o visto de estudante, se organizar e ainda quanto de dinheiro é necessário para fazer intercâmbio.

Com capa e lettering da minha amiga maravilhosa Camila Menezes, você pode adquirir seu exemplar na Amazon.

Enjoy the ride!

CONHEÇA HISTÓRIAS DE GENTE QUE SEGUIU SEUS SONHOS NO PROJETO PARE DE SONHAR

O escritório deles é o mundo (e o que você pode aprender com isso)

2015.

– Eu gostaria que vocês dissessem seus nomes, onde trabalham e onde gostariam de trabalhar.

Era uma sala clara, com tudo o que há direito em uma aula de pós-graduação de uma faculdade coxinha: mesas grandes, cadeiras executivas, ar condicionado no máximo, tags com os nomes e sobrenomes de cada um presente naquele espaço. O professor chamava um a um em sua ordem, sempre pelos nomes, como se fossem velhos amigos.

Um a um, os 39 alunos seguiram à risca a orientação.

Ao fim, apenas dois – os mais velhos do grupo – afirmaram estarem felizes com o trabalho. O irônico, eu pensava, era que mais da metade dos alunos estava ali a mando das empresas que tanto os desagradavam.

– 80% das pessoas são infelizes com o trabalho, continuou o professor. Por quê?, questionou. Essa é uma tendência do mercado atual. E, se o modelo de gestão usado atualmente não mudar nos próximos anos, vamos sofrer com uma grande carência de bons profissionais no mercado.

2013.

Editoras, jornais, sites e redações de todos os tipos passam pela chamada “reformulação”, conhecida no meio como passaralho. Era o primeiro de muitos, que viriam nos anos a seguir. “É pior para quem fica”, lembro de ter ouvido na época. “Quem é demitido consegue seus direitos trabalhistas, se reestrutura e continua a vida. Quem fica acumula funções, passa por essa instabilidade, não sabe o que vai acontecer a seguir… e isso, é claro, afeta a forma como agimos e trabalhamos”.

2014/2015

Cada dia uma nova cama, um novo fuso, uma nova vida. Uma nova oportunidade. São dez dias em São Paulo e 20 fora do Brasil, descobrindo o mundo. Descobrir para descobrir-se. Tudo começou com o passaralho do ano anterior. Como em um filme da sessão da tarde, o “pé na bunda” inicial se transformou em oportunidade: a jornalista Glau Gasparetto uniu a experiência prévia com a vontade de montar a própria agenda e fugiu do mercado tradicional. O marido, Adriano Dias, seguiu os mesmos passos e, seis meses depois reativaram a infoMedia digital, empresa especializada em produtos e conteúdo digital.

O modelo tradicional, com escritório, funcionários alocados e horário comercial nunca esteve nos planos dos dois. “Estávamos cansados da estrutura corporativa e era desejo investir em algo nosso, com nosso ritmo, regras e valores. Era a vontade de viver algo mais leve e mais feliz”, conta a jornalista. O próximo passo foi conciliar o trabalho com a “grande paixão” do casal: viajar.

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Na Turquia, em 2014

Hoje os dois passam mais da metade do mês longe de casa, mas não sem trabalhar – e muito. Do último ano para cá, foram 12 carimbos novos no passaporte até o fechamento desse texto, risos: República Dominicana, Colômbia, Uruguai, Estados Unidos, Itália, Portugal, Vietnã, Camboja, Turquia, Bélgica Holanda e Tailândia. O último uniu ainda mais os dois e o sonho agora é voltar para a Ásia apenas com as passagens de ida. “Nem o trânsito caótico incomoda”, afirma.

Para tudo funcionar, os dois contam com um time de 50 colaboradores das mais diferentes áreas – todos devidamente coordenados a distância e, muitos, com um estilo de vida parecido ao do casal. “É a mesma lógica do home office, que muita gente já aderiu. O trabalho continua o mesmo, o escritório é que é diferente”, contam.

Até o fuso horário, que poderia atrapalhar em prazos e urgências, acaba ajudando, principalmente quando o relógio é adiantado: “Voltamos para casa na hora em que os clientes e a equipe de colaboradores estão começando a trabalhar”, diz. No fim das contas, as únicas reclamações são a falta de regularidade de exercícios físicos e as camas de hotéis e casas que se hospedam: “Nem todas garantem uma boa noite de sono”, afirma.

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Em Halong Bay, no Vietnã, também no ano passado

O próximo destino é baseado sempre em promoções aéreas. Os dois mantém uma wishlist dos países que querem conhecer e, quando aparece alguma oportunidade, compram as passagens e começam a procurar por hospedagem. A programação é feita com 50% a mais de tempo que um turista “convencional” passaria no local. “Parte do tempo é reservada para visitar o lugar em que estamos, vivenciar o dia a dia, conhecer os costumes, pessoas…”, conta. Esse aspecto, garantem, é uma fonte inesgotável de inspiração e ideias para trabalho e vida pessoal.

Na outra metade do tempo, dedicam-se ao trabalho – que é sempre prioridade. E, para tal, trabalham de qualquer lugar: seja onde estão hospedados, cafés ou locais públicos com wi-fi disponível. “Em um dia, podemos passar o tempo todo em frente ao computador. Em outros, conseguimos dar conta de tudo apenas via smartphone e tablet, o que nos permite mobilidade. Usamos o melhor que a tecnologia pode oferecer”, diz.

Como não poderia deixar de ser, os dois tem certeza que aproveitam muito mais a “vida wireless” agora. Mas garantem: “Estar ‘conectado’ ou ‘disponível’ não é exatamente estar na internet. O mundo é muito mais legal sem ser visto pela tela”.

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Durante o Yi Peng Festival, em Chiang Mai, na Tailândia: o trabalho não tem hora

Você pode acompanhar o dia a dia do casal no Escritório do Dia e dicas no Vida Wireless. E, se quiser dicas de viagem, eles ainda escrevem no Travel Sweet Travel.

Todas as fotos que ilustram o post são deles.

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