sobre processo de criação e autodescobrimento

ontem comecei o curso de escrita para a TV da shonda rhimes no masterclass. e nós duas temos algo em comum: nosso processo de criação começa nas notas do celular.

é louco porque não funciona, pelo menos pra mim, essa imagem do escritor que senta de frente para uma janela com seu notebook e para tudo pra escrever (olá, carrie bradshaw!). meu processo de criação começa naquele estado em que não estou nem dormindo, nem acordada. acho que é o momento em que estou mais receptiva para minhas ideias. são elas que me despertam. e é de manhã, antes que eu possa ser invadida pelo dia, que escrevo as coisas que mais gosto.

começam com uma ou duas frases, que se repetem na cabeça feito música (mais um exemplo que a shonda usa no curso!) e viram alguma coisa com mais sustância. foi assim que escrevi meu tcc, ainda na faculdade, e é assim que estou me descobrindo nos últimos tempos. que bom!

(ah! e a título de curiosidade, essa imagem é só o final de um poema que ainda estou trabalhando 👩🏻‍💻🙃)

esse post foi originalmente publicado no instagram. alguns posts que aparecem por lá, são republicados aqui com conteúdo que considero mais extenso e não tão interessante para o público do instagram. o inverso também pode acontecer. me siga por lá :)  

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Ela não sabia voar… e se tornou comissária de voo

Uma das coisas mais difíceis de escrever – pelo menos pra mim – é escrever sobre alguém que a gente gosta muito. As chances de não fazer jus e desapontar são altas. Rabisca, escreve, reescreve, os dias passam e nunca está perfeito. É preciso focar em um deadline e respeitá-lo. De outra forma, o rascunho não vira texto nunca. Além disso, a parcialidade fica de lado e, o jornalismo autoproclamado sério e ético – insira ironia e risos nervosos aqui –, morre um pouco. Como a intenção aqui é a de contar histórias que inspirem – e essa é uma das minhas preferidas -, vamos no caminho avesso. Enjoy the ride:

“Você já pensou em ser aeromoça?”, perguntou um cliente da livraria em que trabalhava Andressa Caggiano, em Campinas (SP). E foi essa frase que mudou todo o rumo da estudante de letras que, desde os 15, viajava o interior do estado se apresentando em peças de teatro.

A ideia ficou alguns dias amadurecendo na cabeça de Andressa até que decidiu: era esse seu futuro. Fez um curso de comissária, passou um final de semana na selva, no Pico das Cabras, também em Campinas, estudou – muito -, passou nos exames médicos para o certificado médico da aeronáutica e,  alguns meses depois, foi aprovada pela ANAC. O destino, quando certo, não foge: não demorou e foi contratada pela Azul – onde passou por mais um treinamento, dessa vez específico para as aeronaves da companhia.

Foram dois anos e meio na empresa, até que, um dia, um companheiro de trabalho sugeriu que ela participasse do processo seletivo da Emirates, uma das maiores companhias aéreas do mundo. Assim como da primeira vez, não deu para trás e foi.

Todas as etapas do processo, coincidentemente, caíram nos dias em que estava de folga e em São Paulo. Na primeira fase, a altura atrapalhou. Para ser aprovada é preciso alcançar o mínimo de 2m,12cm de altura, a altura média dos bagageiros. No meio da prova, não alcançou. Você acredita em fada madrinha? Ainda sim a avaliadora a aprovou. E a disse:  faça yoga, pilates, alongamento, mas chegue mais alta na próxima etapa. Por motivos desconhecidos, duas semanas depois, conseguiu.

Foram mais três fases até que, em uma madrugada, recebeu uma ligação no celular, identificada como “um número gigante”. Era uma chinesa, a parabenizando pela conquista. “Não entendi quase nada do que ela disse. Mas sabia que o resultado era positivo”, conta, com os olhos longe.

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“Não foi difícil entregar minhas coisas e meu crachá, porque sei que vivi intensamente tudo que eu tinha para viver. Que aprendi o que deveria aprender. Conheci pessoas e lugares maravilhosos, às vezes me decepcionei, mas que existe algo mágico em ser feliz mesmo quando o seu dia está sendo ruim”

No dia do trabalho, em 2014, começou sua nova jornada – dessa vez em Dubai. Família, cachorro e namorado ficaram. O começo não foi fácil, como em qualquer pontapé. Mas, em poucos meses, a menina que até alguns anos atrás nunca tinha entrado em um avião, já era do mundo. Amsterdam, Barcelona, Itália, Rússia, Austrália, Londres. Até agora, são 25 carimbos novos no passaporte.

Em setembro voltou ao Brasil. O namoro de quatro anos – que começou na livraria, ainda em Campinas -, também transmutou. Se casou, com direito a  lua de mel em Dubai. Depois de 10 dias, João, o noivo, voltou. Sozinho. “Depois que você se encontra nessa vida, o difícil é se imaginar fora”, diz.

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“Descobri das despedidas que todo ‘tchau’ é também um ‘oi’. E que ir embora também é chegar. Partir é então se repartir para ir, mas para poder voltar. É buscar! Partir é um pouco como morrer agora, para renascer em outro lugar. Um pouco como voar… É um desprender-se totalmente solitário. Por isso eu poderia ser só, ao invés disso, escolhi ser pássaro”

Se ela se arrepende? Nunca. E que sonho ela ainda poderia ter, depois de realizar a maioria deles? “Voltar. Voltar para o meu marido. Terminar meus vinte e poucos anos pronta para assumir responsabilidades. Ter um cachorro, uma planta que não vai morrer. Assistir novela todos os dias, dormir na mesma cama e, quando viajar, ficar mais de 24h em cada lugar. Vida leve. Meu sonho é saber  hora de parar”. O mundo é teu, Andressa.

como se tornar aeromoça comissaria emirates azul

Atualização: você pode acompanhar o dia a dia da Andressa e também dicas sobre a profissão dela no Não Perturbe. Mas perturbem, ela é encantadora :)

Veja mais histórias como a da Andressa no Projeto Pare de Sonhar.

Como estudar fora do país?

“Eu me sinto como Alice no País das Maravilhas”, me disse a cazaque que havia acabado de conhecer. “…Só que na cena em que ela está caindo no buraco”, ela completou. Essa foi a melhor coisa que ouvi quando estava estudando na Califórnia, em 2013. Morar e estudar fora do Brasil é um sonho pra muita gente mas, muitas vezes, acaba se tornando um pesadelo ao longo do tempo – coisa que ninguém diz quando volta ou dá notícias do mundo de lá.

Acontece que a gente coloca muita expectativa em cima de outro país, cidade, culturas e, quando chega lá, nem tudo é como a gente imagina. Sem dizer que o período anterior a essa jornada também não é nada glorioso: documentações, provas, vistos, indecisões e incertezas. Eu, por exemplo, passei dois meses esperando minha carta de aprovação na Universidade da Califórnia. Nesse tempo, quem me acompanhou em noites em claro, combatendo a ansiedade foi tão somente e apenas o Netflix, aquele abraço amigo que a gente espera em uma noite fria.

Por isso, quando voltei, em dezembro de 2013, uma das minhas vontades era ajudar outras pessoas na mesma situação a não passar pelos mesmos perrengues que eu e repassar o que aprendi de alguma maneira. Escrevi muito sobre isso no Lugar Algum, reuni tudo isso, reescrevi  complementei com atualizações e informações boas e atemporais para quem quer estudar fora, não é mais adolescente e nem tem a ajuda dos pais para isso.

Foi assim que nasceu o Intercâmbio + 21 – Um guia para quem quer estudar fora do país, mas não tem tempo (nem dinheiro) a perder:

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Tem de tudo um pouco: como conseguir as documentações necessárias, quais provas você deve fazer para fazer uma faculdade fora, como conseguir o visto de estudante, se organizar e ainda quanto de dinheiro é necessário para fazer intercâmbio.

Com capa e lettering da minha amiga maravilhosa Camila Menezes, você pode adquirir seu exemplar na Amazon.

Enjoy the ride!

CONHEÇA HISTÓRIAS DE GENTE QUE SEGUIU SEUS SONHOS NO PROJETO PARE DE SONHAR